Fronteira Seca – Pirisca Grecco


7º Um Canto Para Martin Fierro – Livramento – RS – 2005.
Composição premiada com o Pirmeiro Lugar, Melhor Poesia e Melhor apresentação no Palco.

FRONTEIRA SECA

Letra: Rogério Ávila
Música: Mauro Moraes
IntÉrprete: Pirisca Grecco

Fronteira seca, d’onde o marco ronda a linha
E égua madrinha ao cruzar bate campana
De Masoller à Punta Upamaroty
Se estendem “así” rastros de tropas Sant’Ana

Fronteira seca d’onde a vida do chibeiro
Abraça a sorte no rumo do contrabando
E algum “cuatrero matrero de policia”
Não se anuncia e ao trote largo vai cruzando

Nesta fronteira, alma pampa que se adoça
D’onde retoça na campanha e no “pueblero”
Uma cordeona que se “alumbra” num relincho
Nestes bochinchos de poncho, adaga e sombreiro

Fronteira seca, “loca” de buena
Fronteira seca, flor de campeira

Fronteira seca do saludo arrinconado
D’onde cochila tradição pra um guitarreiro
E o gaiteiro estufa o peito, apaysanado
Num “a la pucha” abagualado de faceiro

Nesta fronteira dos campos engordando o gado
Pelos janeiros com mormaços de verão
D’onde a saudade no entreveiro do sotaque
Encilha um mate e desencilha a solidão.

Sponsored Post Learn from the experts: Create a successful blog with our brand new courseThe WordPress.com Blog

WordPress.com is excited to announce our newest offering: a course just for beginning bloggers where you’ll learn everything you need to know about blogging from the most trusted experts in the industry. We have helped millions of blogs get up and running, we know what works, and we want you to to know everything we know. This course provides all the fundamental skills and inspiration you need to get your blog started, an interactive community forum, and content updated annually.

Entre Visita e Saudade – Juliano Moreno


36ª Coxilha Nativista – Cruz Alta – RS – 2016.

ENTRE VISITA E SAUDADE

Letra: Diego Guterres
Música: Diego Guterres
Intérprete: Juliano Moreno

Ficou a imagem do aceno da cola
de um mouro troteando ao compasso do adeus…
Ficou a ferida, na tela dos olhos,
do amigo sumindo entre sal, campo e breu…

Ficaram pelegos dormindo nos bancos,
e a voz de “Stá cedo!” nas sombras em jogo…
Ficaram ausências no mate em recosto,
palavras dançando nas língas do fogo…

“A culpa é das horas, que regram a vida,
impondo partidas, dolentes abraços!
(Depois na saudade dos nossos amigos,
ponteiros machucam – parece castigo –
girando tão lentos num árduo compasso!)”

É bom estar junto de quem se quer bem
(a alma se aquece e também se ilumina),
razão da promessa de outra visita
p’ra o fim da conversa que nunca termina.

Um dia, os ponteiros serão o anúncio
da eterna saudade… do último adeus.
Por isso é que sempre, se a vida é incerta,
sou tão transparente do amor pelos meus!

“A culpa é das horas, que regram a vida,
impondo partidas, gretando alegrias!
(Pois somos escravos de austeros ponteiros,
que castram sorrisos, momentos fagueiros,
nos punem saudade e não dão anistia.)”

De Canto e Tropa – Robledo Martins (Califórnia)


32ª Califórnia da Canção Nativa do RS – Uruguaiana – RS – 2003.

DE CANTO E TROPA

Letra: José Carlos Batista de Deus
Música: João Bosco Rodrigues
Recitado: Xirú Antunes
Intérprete: Robledo Martins

“Será que ainda existem tropas
Nos sem fim dos corredores?
É o mundo novo indagando
Nossos antigos valores
Ponteiro, fiador, culatra
Campeiro empurrando boi
Há vestígios e lembranças
Mas a tropa pra onde foi?
Respondo ao bancar na rédea
Meu coração que galopa
Ao ver meu pago cantando
Me volta a imagem da tropa”

Com a cavalhada por diante
Vem na ponta um missioneiro
Trazendo a alma na goela
E algum recuerdo posteiro
Parece chamando a tropa
Um general de sombreiro

Piás taludos e outros mouros
Rondam chuva e polvadeira
Fazendo encordoar a tropa
Nas gargantas cantadeiras
Sempre acoando no costado
Um canhoto de madeira

Mistura canto e encanto
Quem reponta seus anseios
E continua torena
Cruzando pagos alheios
Embalando a própria vida
Com melodias de arreios

Pra quem herdou esse dom
De cuidar coisas do campo
Mais vale a brasa de um fogo
Do que o clarão dum relampo
Pois alumbra seu caminho
Na luz que brota do canto

O canto é a tropa mensagem
Pedindo pouso e aguada
Tem notas feitio de casco
Riscando vaus e picadas
Quem canta, planta sementes
Pra germinar pela estrada.

Cantando o Xote – Cláudia Soares e Beto Pires


8ª Tertúlia Musical Nativista – Santa Maria – RS – 1987.
Composição que conquistou o troféu de Música Mais Popular.

CANTADO O XOTE

Letra: José Roberto C. Pires
Música: José Roberto C. Pires
Intérpretes: Cláudia Soares e Beto Pires

Eu vou cantar, cantar é bom
um xote, um tom
que seja alma e harmonia,
se perguntar pra quê cantar
Vou responder e assim dizer,
que o xote é bom.

Pra se cantar uma canção de amor,
pra se dançar assim bem marcadinho,
pra enxotar tristeza o xote é bom,
se bem juntinho ainda mais.

Não tem calo nem dedo inchado,
e apertado o pé,
um xotezito bem marcado,
que beleza é,
dança João, dança Maria,
Chico, Pedro e Terezinha,
e solta a gaita Zé.

Blanquita – Ita Cunha


33ª Coxilha Nativista – Cruz Alta – RS – 2013.
Composição premiada pela Melhor Letra.

BLANQUITA

Letra: João Stimamilio
Musica: Carlos Madruga
Intérprete: Ita Cunha

Tordilho ligeiro, nas raias campeiras
Da cor das melenas, que o tempo pintou
A baba no freio do pingo “amilhado”
O céu estrelado, bandeira de paz…
Um rancho caiado, florada de trevo
O branco dos olhos de algum montaraz…
No mate servido; relatos da vida
E os olhos da noite, enxergam por mim…

Blanquita nochera… De alma lavada…
Blanquita geada… Rigor da estação…
Cadente ruana, num vôo sem fim…
Blanquita: um sorriso de lábios carmim…
Blanquita nochera… Blanquita virada…
Blanquita perfume… Da flor do jasmim!
Blanquita abre a porta que o dia tá aí…
Blanquita milonga… Não deixa dormir!

Apojo das mansas, o leite nos tarros
Terneiros a campo: começa a manhã
Flor de pitangueira; espuma de arroio
Cordeiros do agosto, as bolsas de lã
Num raio de Lua, os sonhos caminham
Na volta do fogo, eu sigo contigo
O lenço “chimango” esquece da guerra
E a Dalva no céu, bombeando pra terra…